Artigo originalmente publicado no portal Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

startup de serviços financeiros ULend agiliza e barateia empréstimos de pessoas físicas para pequenas e médias empresas. A fintech se inspirou na própria proposta e captou recursos com investidores para financiar sua expansão.

A ULend recebeu 1,8 milhão de reais em apenas 72 horas em uma rodada de equity crowdfunding. Nesse modelo de investimento online, uma startup pede recursos a pessoas físicas em troca de uma fatia na própria companhia.

No caso da ULend, foram 120 investidores e uma média de 15 mil reais colocados por cada um deles por meio da plataforma Eqseed, que já mediou 28 milhões de reais investidos em startups.

Ideia de negócio: o peer to peer lending (P2P)
A ideia de negócio surgiu em março de 2018. A administradora Beatriz Antibero e o engenheiro mecânico Gabriel Nascimento trabalhavam em um banco de investimentos e sabiam como emprestar dinheiro para companhias dava lucro às instituições financeiras.

“Permitir que pessoas emprestem dinheiro a pequenas e médias empresas é uma nova forma de investimento. Ao mesmo tempo, esses empreendimentos acessam crédito a taxas mais acessíveis”, diz Nascimento. Segundo o empreendedor, os bancos cobram juros altos para financiar sua estrutura de agências, funcionários e garantias financeiras e jurídicas.

O pontapé para a criação da ULend foi uma decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) que estabeleceu dois modelos para fintechs de crédito operarem: a sociedade de crédito direto (SCD) e a sociedade de empréstimo entre pessoas (SEP).

“Lemos sobre as plataformas que já estavam operando no Brasil e a gente vislumbrou a oportunidade de fazer uma espécie de debêntures [emissão de títulos de dívidas de grandes grandes empresas, que remuneram aqueles que emprestaram o dinheiro] de pequenas e médias empresas”, diz Nascimento.

A ULend é uma plataforma de empréstimos de usuário para usuário, ou peer to peer lending/P2P. O foco está em financiamento para capital de giro para empresas que faturam até 200 milhões de reais por ano. De acordo com dados do Banco Central, o valor total da carteira de crédito de pessoa jurídica na modalidade capital de giro é de 278,6 bilhões de reais. Desse valor, 185 bilhões de reais estão na carteira dos cinco maiores bancos no Brasil.

Como funciona a ULend?
Na ULend, a empresa cadastra seus documentos (como extrato bancário, faturamento e contrato social) e define qual valor gostaria de captar. A fintech faz uma análise de risco e avalia as garantias oferecidas por ele para estipular a taxa de juros sobre o crédito.

Uma proposta de condições de empréstimo é enviada em dois dias úteis. Se a empresa concordar, assina um contrato digital e seu pedido é colocado na plataforma. O empreendimento paga boletos mensais referentes à parcela do financiamento. A média de empréstimo na ULend é de 200 mil reais.

O futuro investidor, que pode ser pessoa física ou jurídica, entra na plataforma da ULend, cadastra suas informações (como documento de identidade e comprovante de residência), vê as propostas das empresas e decide o melhor investimento. Uma instituição financeira parceira da ULend, a Paraty Financeira, emite o título de dívida previsto no contrato. Uma via fica com a empresa e outra com o investidor.

O primeiro empréstimo pela fintech aconteceu em abril deste ano. Os valores vão de 20 a 500 mil reais, em até 24 parcelas. Os juros cobrados das empresas e recebidos pelas pessoas físicas vão de 1,3% a 3,5% ao mês.

Segundo Nascimento, a cobrança da ULend é de 30 a 40% menor do que a vista nos bancos para negócios que faturam até 1 milhão de reais por ano. Quanto maior o porte da empresa, mais o banco negocia e menor a diferença para a oferta da ULend.

A fintech não se monetiza com os juros, e sim cobrando das pequenas e médias empresas pela captação de clientes e pela gestão de dívida. A taxa vai de 2% a 6% sobre o valor total financiado para cada companhia.

Próximos passos
Com o 1,8 milhão de reais captado pelo equity crowdfunding, a ULend estuda se registrar como SEP, oferecer um seguro de crédito aos investidores e emitir os títulos de dívida por conta própria, sem uma instituição financeira parceira.

O dinheiro já está sendo usado para financiar o crescimento da fintech: contratação de funcionários, investimento em marketing, automação e melhora de sistemas e o lançamento do aplicativo da ULend.

Em seus sete meses de operação, a ULend viu 195 milhões de reais em empréstimos solicitados e concedeu 7,6 milhões de reais. Até o final deste ano, a fintech deve conceder 12 milhões de reais. Em 2020, serão 50 milhões de reais.