Cada vez mais investidores estão sendo atraídos a realizar investimentos em cervejarias artesanais para motivos concretos

O surgimento do mercado de cervejaria artesanal teve início há décadas nos Estados Unidos e chegou recentemente ao Brasil.

Movidos pela paixão pela bebida e pelo anseio de melhorar a qualidade das cervejas oferecidas, muitos empresários deram o pontapé inicial e começaram a por em prática suas ideias cervejeiras.

Assim, nasceram as cervejarias artesanais, que, ano após ano, conquistam o coração e o paladar de cada vez mais brasileiros.

Casos de cervejarias artesanais no Brasil

Marcelo Carneiro tornou-se um dos pioneiros desse movimento no país quando decidiu abrir seu próprio bar em Riberão Preto, onde fabricaria sua própria cerveja. Inspirado pelo fervor das cervejas artesanais nos Estados Unidos, lançou a cervejaria Colorado com seu amigo Cesário Mello Franco (fundador da Xingu).

Pouco depois, a onda de cervejas artesanais chegou no Brasil e a cervejaria Colorado realmente começou a decolar. Com essa nova mania, o Brasil viu o surgimento de várias cervejarias artesanais, todas focadas em produzir um produto diferenciado e de melhor qualidade para o consumidor brasileiro.

O sentimento de baixa qualidade entre as cervejarias brasileiras tradicionais ainda era muito forte em 2001, e os dois empresários cariocas Marcelo do Rio e Marcello Macedo compartilhavam bastante entre si sobre essa deficiência. Eles perceberam que tinha uma oportunidade de criar uma cerveja que tivesse, ao mesmo tempo, a qualidade europeia e o espírito brasileiro. Assim, nasceu a cervejaria Devassa.

Já em 2008, dois irmãos mineiros abraçaram o controle da cervejaria do seu pai com a ideia de inovar. Percebendo a força da tendência de cerveja artesanal, José Felipe e Tiago Carneiro mudaram drasticamente a direção estratégica da cervejaria Wäls, focando na produção de cervejas especializadas. Em poucos anos, levaram a Wäls ao patamar de reconhecimento mundial.

Mas o que esses casos têm em comum?

Todos são casos de cervejarias brasileiras que conseguiram conquistar um nicho significativo do mercado de cervejas.

E todas essas cervejarias foram compradas por players maiores, gerando retornos relevantes para seus fundadores e investidores iniciais.

Cervejarias artesanais no Brasil – Casos de “exit”

Em 2007, a Devassa já contava com uma fábrica própria, 13 bares em Rio de Janeiro e São Paulo e um faturamento anual de R$ 12 milhões. Nesse contexto, a gigante Schincariol comprou a Devassa segundo um valuation de R$ 43 milhões – aproximadamente R$ 80 milhões em valores atuais.

Em 2015, a cervejaria Wäls produzia 50 mil litros de cerveja por mês, gerando um faturamento anual de R$ 9 milhões. No mesmo ano, foi comprada pela Ambev por um valor não divulgado.

Meses depois, a Ambev continuou com sua estratégia de aquisição, comprando a cervejaria Colorado também por um preço não divulgado. Na época, a Colorado produzia 120 mil litros de cerveja por mês e faturava R$ 18 milhões ao ano.

Cervejarias com perfil “startup”

Casos como esses acabaram despertando o interesse de investidores em investir especificamente em cervejarias artesanais – cervejarias com características de uma “startup”.

Mas, uma startup não é uma empresa tecnológica?

Pois é, quem pensa em investimentos em startups geralmente pensa em investir em empresas tecnológicas.

Faz sentido.

Muitas startups são baseadas em tecnologia, pois é assim que conseguem escalar e ter uma vantagem competitiva perante empresas tradicionais.

No entanto, investidores em startups gostam de investir em empresas em que eles acreditam fortemente. São aquelas em que o investidor não somente acredita que vão ter sucesso – mais do que isso: são empresas que ele pensa que devem existir.

Ao mesmo tempo, o investidor de startups busca retornos financeiros bem acima da média, caso a startup dê certo.

Colocado nesse contexto, investir em uma cervejaria artesanal faz total sentido.

Cervejarias artesanais e o investidor

Primeiro, qual pessoa que gosta de cerveja já não imaginou, pelo menos por um momento, o quão legal seria ter sua própria cerveja?

Quem não olhou em um cardápio apenas com cervejas tradicionais e pensou: “que terríveis essas cervejas. Não tem nada melhor, não? Nós merecemos cervejas melhores aqui no país.”

Ao redor do mundo, existem pessoas que aproveitaram a oportunidade de viver um pouco desse sonho, de fazer com que uma cerveja de qualidade existisse e que estivesse disponível, sem necessariamente deixar suas carreiras para abrir suas próprias cervejarias.

Como fizeram?

Fizeram isso ao investir em uma cervejaria artesanal.

Para esses, é motivo de extremo orgulho estar na mesa do bar com amigos que dizem, “Nossa, que cerveja fantástica essa!” e podem responder, “Boa, né? Sabia que essa cerveja é minha? Sou acionista!”.

Grandes cervejarias comprando cervejarias artesanais: tendência mundial

Mas, sentimentos à parte, o incentivo para investir em cervejarias artesanais está também fortemente vinculado ao potencial de receber retornos financeiros bastante significativos.

As últimas duas décadas são repletas de casos das maiores cervejarias no mundo como AB Inbev, Heineken e outras, comprando cervejarias menores, como parte da sua estratégia de aumentar cada vez mais sua fatia do mercado.

Em uma entrevista recente, Jorge Paulo Lemann, dono da Ambev, comentou sobre os desafios de inovar enfrentado por empresas enormes como Ambev. Ele declarou que as empresas dele “estão correndo para se ajustar”:

“Agora temos que nos ajustar totalmente às novas demandas dos clientes, clientes que hoje são muito mais volúveis — eles querem produtos diferentes todos os dias, querem que seja entregue de uma forma mais fácil. Nós realmente temos que nos adaptar.”

Ele continua:

“Nós fizemos uma reunião do conselho num restaurante em que havia 200 marcas de cerveja artesanal e nenhuma nossa. Ficamos surpresos. Mas nós reagimos. Compramos 20 empresas de cerveja artesanal, contratamos novos caras e estamos aprendendo muito com eles. Nos mercados internacionais, não nos surpreenderemos mais. Se uma cerveja artesanal aparecer na Argentina ou no Brasil e parecer boa, vamos comprar na hora.”

“Se uma cerveja artesanal aparecer na Argentina ou no Brasil e parecer boa, vamos comprar na hora.“

Jorge Paulo Lemann, dono da cervejaria Ambev

Essa tendência comprovada das cervejarias maiores comprando cervejarias menores é uma das coisas que atrai investidores para as oportunidades de investir em cervejarias artesanais.

Uma aquisição como essa significa um momento de realizar retornos potencialmente muito altos.

Momento de “Exit” nas cervejarias artesanais

O momento de saída – de “exit” – é o momento de ouro para qualquer investidor em startups. É nesse momento que ele pode realizar os retornos incríveis que são apenas possíveis com investimentos em startups.

Assim, o investidor de startups naturalmente procura investir em startups que terão boa probabilidades de atingir esse momento de saída no futuro, se a startup der certo.

Antes de investir em uma startup, ele se pergunta:

“Se essa startup tiver sucesso, conseguir escalar e conquistar um nicho significativo do seu mercado – quem vai querer comprá-la?”

No caso de cervejarias artesanais, a resposta é simples e óbvia.

A prática de cervejarias maiores adquirirem cervejarias artesanais é uma tendência mundial e os casos citados no início do post demonstram que essa prática também é realidade no Brasil.

Retornos potenciais para o investidor de uma cervejaria artesanal

Mas qual tipo de retorno financeiro o investidor de uma cervejaria artesanal pode esperar?

Os retornos potenciais de investimentos em startups e empresas em expansão envolvem vários fatores.

Mas, dois pontos principais para entender são:

  1. O valuation da empresa na hora que o investidor investe; e
  2. O valor pago pelo comprador da empresa investida na hora de aquisição.

Muitas vezes, o valor da compra de uma empresa não é divulgado, como é o caso das cervejarias Wäls e Colorado. Assim, é difícil calcular com precisão quais seriam os retornos para os investidores iniciais.

Mas, como cenário hipotético, vamos imaginar que a Ambev pagou R$ 90 milhões para comprar a Colorado em 2015 – 5 vezes o faturamento anual da cervejaria Colorado (R$ 18 milhões).

Continuando com nosso exemplo hipotético, vamos dizer que você conseguiu investir R$ 200 mil na cervejaria Colorado anos antes, segundo um valuation de R$ 8 milhões.

Seria um valuation razoável para uma cervejaria com marca já estabelecida, canais de venda fortes e estáveis e com receita recorrente mensal saudável.

Assim, em nosso exemplo, você investiu em um valuation de R$ 8 milhões e vendeu sua participação segundo um valuation na hora do “exit” de R$ 90 milhões, quando a grande cervejaria Ambev comprou a Colorado.

Nesse caso, o seu retorno seria por volta de 10 vezes o valor investido.

É esse tipo de retorno potencial que incentivou cada vez mais investidores a construir portfólios de startups, utilizando uma pequena parte dos seus investimentos totais.

Portfólio diversificado – a chave para investir certo

Os investidores mais sensatos de startups sabem que, para conseguir atingir bons retornos com seus investimentos em startups, precisam aplicar a estratégia certa: diversificar.

Construir um portfólio diversificado de startups é a estratégia mais comprovada para gerar sucesso com esse tipo de investimento.

Parte da estratégia de diversificação consiste em limitar o valor total que você investe em startups e, depois isso, dividindo esse valor entre várias startups de vários setores. Na EqSeed, chamamos isso de diversificar duas vezes.

Assim, o investidor de startups busca adicionar empresas de vários setores com diversos modelos de negócio ao seu portfólio, justamente para atingir um grau de diversificação saudável.

Enquanto a maioria da sua carteira de startups provavelmente vai consistir em empresas de tecnologia, alguns investimentos em empresas com modelos mais tradicionais, como cervejarias artesanais, podem ser interessantes, dado que esse tipo de empresa tem um histórico forte de saída.

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