Nova regra da CVM facilita captação de recursos

Por Ana Paula Ribeiro | Julho de 2017

Leia a matéria na íntegra em O Globo

SÃO PAULO – Mariana Lanzana Carturan há três anos vem trabalhando no projeto de um aplicativo que permite a troca de bens entre os usuários sem cobrança de taxa. A versão inicial do Casa247 já está em funcionamento há alguns meses, mas a empresa, que também conta com outros três sócios, precisa de recursos para desenvolver outras funções e atrair mais usuários. Como o dinheiro da fundadora acabou, a saída será buscar recursos de investidores.

— Para começarmos a obter receitas com o aplicativo, precisamos desenvolver mais funções, e o nosso dinheiro chegou ao limite. Vamos ter que buscar esses investimentos em uma aceleradora de projetos, que pode nos trazer expertise para a empresa crescer, e estudar o crowdfunding, que pode servir para algo mais pontual — avalia a empreendedora.

APORTE COLETIVO VIA INTERNET

Marcelo Godke, sócio do Godke Silva & Rocha Advogados, acredita que as novas regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para o que é chamado de equity crowdfunding podem ajudar start-ups como a de Mariana a conseguir recursos que garantam o seu crescimento a um custo menor do que os caminhos mais tradicionais, como o crédito bancário. Nesse sistema, plataformas credenciadas pela autarquia vão permitir que investidores aportem recursos, de forma coletiva, em uma empresa. Em troca, terão uma participação acionária que, no futuro, quando a companhia ganhar musculatura, pode ser vendida.

Antes, as plataformas existentes já conseguiam oferecer esse tipo de intermediação, mas boa parte dos investidores, sem uma regulamentação da CVM, não se sentia seguro. Havia ainda uma limitação por parte das empresas, que precisavam estar enquadradas nas regras do Simples (faturamento de até R$ 3,6 milhões) para fazer uma captação de recursos sem registro na autarquia. Agora, pode fazer uso dessa ferramenta quem fatura até R$ 10 milhões ao ano.

— Os juros no mercado de crédito bancário são elevados. Ao menos 5% ao mês em uma linha de capital de giro. Esse custo pode inviabilizar um negócio. Além disso, algumas empresas nem têm acesso ao crédito bancário. O equity crowdfunding pode virar esse intermediário e, além de start-ups, empresas do setor tradicional também podem acessar essas plataformas para ter dinheiro mais barato para crescer — explica.

IMPULSO PARA O MERCADO

Uma dessas plataformas é a EqSeed, que vai passar pelo processo de autorização junto à CVM para começar a fazer rodadas de captação de recursos para empresas nas novas regras. Greg Kelly, sócio fundador da plataforma, acredita na expansão dessa forma de captação, ainda limitada a poucas dezenas de empresas.

— Essa nova regra vai ajudar a impulsionar o mercado e a ganhar escala — diz Kelly.

O maior caso de empresa de sucesso de equity crowdfunding no mundo é a da cervejaria escocesa Brewdog. Em seus dez primeiros anos de atuação, ela se financiou por meio desse sistema e, atualmente, é avaliada em 1 bilhão de libras.

— Quem investiu nas primeiras rodadas conseguiu retornos expressivos e permitiu o crescimento da empresa — conta Kelly.

Em quantidades mais modestas, outras empresas estão com rodadas de investimento em andamento, uma vez que iniciaram o processo antes da publicação das novas regras da CVM. A Cotexo utiliza a EqSeed para levantar R$ 600 mil em troca de 15% de suas ações. A ideia é dar impulso a sua plataforma de comércio eletrônico, que consiste na compra e venda de autopeças, ligando fornecedores a varejistas do setor.

 

 

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