Startup Exit: Buscapé comprada pela Naspers

O momento de exit (“saída”) é o que todo investidor mira com seus investimentos em startups.

É principalmente nesse momento que o investidor anjo consegue vender a participação adquirida e realiza o seu grande retorno sob o investimento feito.

Mas você sabe de casos em que isso realmente aconteceu no Brasil?

Hoje falaremos do comparador de preços Buscapé, uma das mais conhecidas startups de sucesso do país. Em 1999, o Buscapé começou como uma startup de apenas 4 estudantes da USP, 10 anos depois se tornou um gigante com 60 milhões de visitas mensais e buscando produtos em 600 mil lojas, o que levou a sua aquisição por USD342 milhões pelo conglomerado de mídia sul-africano Naspers.

Essa aquisição é um exemplo do que pessoas querem dizer quando falam de uma “saída” no mundo de investimentos em startups, pois é nesse momento que os investidores anjo teriam vendido suas participações por um belo lucro, gerando retornos medidos em múltiplos do valor investido.

Vamos acompanhar a história da Buscapé para saber mais como investimento em startups dão retornos para seus investidores na prática.

A trajetória do Buscapé de pequena startup a empresa de grande porte

O Buscapé foi criado por quatro estudantes da USP: Romero Rodrigues, Rodrigo Borges, Ronaldo Takahashi e Mario Letelier. Tudo começou com um deles buscando uma impressora para comprar pela internet e não conseguindo localizar lojas especializadas e nem informações de preço. Na época isso era muito complicado e não havia nenhuma ferramenta para te ajudar, exigindo do consumidor muito tempo de pesquisa online e off-line se quisesse encontrar o melhor preço.

Conversando com seus 3 amigos e futuros sócios decidiram criar um site de busca e comparação de preços de produtos. Desenvolveram um sistema spider que buscava os produtos nos e-commerces e resultava em uma lista comparando os diferentes preços praticados no mercado, nascia em Junho de 1999 o Buscapé. Rapidamente o site conseguiu um número razoável de usuários e cadastrou 30 empresas de e-commerce para listar seus produtos e preços.

No ano seguinte a fundação, foi a época da bolha da internet e o crescimento do e-commerce no Brasil, o que impulsionou ainda mais o crescimento do Buscapé e permitiu que a empresa realizasse suas primeiras rodadas de investimento para acelerar esse crescimento e dominar o mercado rapidamente.

Daí em diante, a empresa não parou de crescer, se tornou líder na América Latina em comparação de preços e, para que isso fosse possível, recebeu uma série de rodadas de investimento.

As rodadas de investimento e aquisições do Buscapé

Como a maioria das startups, a estratégia utilizada pelo Buscapé para impulsionar e acelerar o crescimento foi de realizar diversas rodadas de investimento, o que possibilitou atingir resultados significativos ano a ano. É importante ressaltar também que os investimentos recebidos viabilizaram a aquisição de empresas concorrentes e complementares, dominando ainda mais o mercado e melhorando cada vez mais seus produtos e serviços.

Comenta-se que o primeiro investimento recebido foi em torno de U$500 mil ainda no ano da fundação, em Setembro de 1999. Esse capital possibilitou que os empreendedores validassem o modelo de negócio e atingissem alguma tração demonstrando que realmente tinham um negócio de grande potencial nas mãos.

Em Junho de 2000, alguns meses após o estouro da bolha da internet, o Buscapé continuava em evidência e crescendo. Realizou então sua segunda rodada de investimento, os bancos Merril Lynch e Unibanco investiram cerca de U$3 milhões na promissora startup.

Apesar de todo o investimento e crescimento a empresa ainda não era lucrativa, o que é comum ao se pensar em startups, o foco é total na expansão dos negócios e em conquistar fatias significativas do mercado, evitando que a concorrência chegue primeiro. Apenas em Setembro de 2002 o Buscapé atingiu o equilíbrio financeiro (breakeven).

Agora, alguns diriam que U$3,5 milhões investidos em uma empresa que ainda não gerava lucros é questionável, mas investidores em startups entendem o enorme potencial de retornos desse classe de ativos e quão rápido uma empresa com um modelo escalável pode crescer.

Em 2005 um fundo de investimento americano chamado Great Hill Partners investiu no Buscapé e comprou as participações dos bancos (Merril Lynch e Unibanco), o valor não foi divulgado mas o fundo realiza investimentos entre U$20 milhões e U$100 milhões.

Com essa injeção de capital o Buscapé foi ainda mais agressivo para crescer e dominar o mercado nos anos seguintes, lançou novos produtos e comprou concorrentes e empresas complementares como: BondFaro (principal concorrente), e-bit, Pagamento Digital e FControl.

As rodadas de investimento permitiram que o Buscapé expandisse seus negócios para outros países da América Latina como México, Argentina, Chile e Colômbia. Além disso, a empresa também expandiu seu portfolio de produtos e serviços, deixando de ser apenas um comparador de preços e tornando-se uma plataforma completa de serviços que ajuda a comprar e vender pela internet.

A aquisição do Buscapé pela Naspers

Em Setembro de 2009 o conglomerado de mídia sul-africano Naspers adquiriu 91% do Buscapé, o valor impressiona, foram US$342 milhões. O Naspers comprou a participação dos investidores anteriores e parte dos fundadores da empresa que ficaram com os 9% restantes.

Na época da aquisição o site recebia mais de 60 milhões de visitas por mês e contava com informações de cerca de 600 mil lojas. Alguns anos depois, em 2014 estima-se um faturamento em torno de R$300 milhões anuais.

Essa foi a saída que os primeiros investidores teriam visado. Não se consegue dizer quanto os primeiros investidores do Buscapé lucraram ao vender suas participações do Buscapé para Naspers pois os números não foram divulgados.

Porém, como um exemplo hipotético e possível, vamos dizer que os investidores que investiram U$500 mil no Buscapé em 1999 receberam 20% da empresa. Se eles não exerceram o seu direito de preferência nas duas rodadas seguintes, é razoável assumir que sua participação nominal na empresa teria ficado por volta de 10% em 2009.

A aquisição da Naspers deu um valuation para a empresa de U$376 milhões. Então, em nosso exemplo, os investidores que investiram U$500 mil teriam recebido por volta de U$37,5 milhões.

Os U$500.000 dos investidores teria virado U$37.500.000 em 10 anos. Isso seria um retorno de mais de 75 vezes sob o valor investido. Calculando-se a taxa para comparar com outros tipos de investimento, um retorno de 75,2x sob o valor investido, em 10 anos, chegamos a um retorno de impressionantes 54% ao ano durante um período de 10 anos.

Quando o assunto é investir em startups, os números podem ser assim. É um investimento de alto risco, mas qual outro ativo financeiro pode oferecer a possibilidade de retorno de mais de 50% ao ano?

Conclusão

O Buscapé é um dos cases mais conhecidos de venda de uma startup brasileira. Além dos valores, o que mais impressiona é que isso tudo ocorreu em uma época quando o ecossistema de startups no Brasil e o incentivo ao empreendedorismo ainda era muito pouco desenvolvido e transações desse tamanho eram extremamente raras.

Hoje em dia, o empreendedorismo é muito mais incentivado. O ecossistema de startups composto principalmente por empreendedores e investidores tem se tornado cada vez mais maduro, desenvolvido e profissional, tudo isso contribui para que vejamos muito mais casos de sucesso como o do Buscapé nos próximos anos.

 

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