Segundo um valuation de US$ 4 bilhões, o conglomerado chinês Tencent Holdings investiu US$ 180 milhões na fintech brasileira Nubank. Desse montante, US$ 90 milhões foram destinados à compra de ações de investidores que apostaram na startup nos seus estágios preliminares, proporcionando um exit interessante para eles.

O exit da fintech Nubank

cartão nubank

A fintech Nubank é uma das startups brasileiras mais bem-sucedidas de todos os tempos. Com a missão de desburocratizar o setor de banking no Brasil, ela vem crescendo a uma taxa impressionante.

Em 2018, o Nubank realizou mais uma rodada de investimento para abastecer sua taxa de crescimento incrível. O que é interessante sobre essa rodada específica é que muitos dos investidores iniciais do Nubank conseguiram vender suas participações na empresa segundo um valuation de US$ 4 bilhões (R$ 14,7 bilhões) – realizando belos retornos nesse processo de exit.

Quando uma startup realiza uma nova rodada de investimento, ela geralmente cria ações para oferecer aos investidores em troca do aporte financeiro.

Assim, talvez você esteja se perguntando:

“Como os investidores iniciais do Nubank realizaram um exit do seu investimento?”

Nessa rodada, o investimento de US$ 180 milhões (R$ 664,4 milhões) da chinesa Tencent na fintech brasileira Nubank foi dividido em duas transações separadas, mas de valores iguais. A primeira foi feita no mercado primário e a segunda, no mercado secundário.

Os primeiros US$ 90 milhões foram investidos diretamente na fintech, que criou nova participação societária para trocar pelo investimento.

No entanto, a outra metade da transação forneceu um retorno interessante para alguns investidores.

Os outros US$90 milhões – foram destinados à compra de ações de investidores, pessoas que haviam apostado no Nubank em suas primeiras rodadas de investimento.

Assim, houve um exit parcial nessa transação. A Tencent passou a deter em torno de 4% do Nubank e, desse total, 2% foi decorrente da compra de ações já existentes. Ou seja, uma das operações transcorreu no mercado secundário, configurando assim um exit para esse investidores que venderam seu equity.

O terceiro unicórnio brasileiro: a história do Nubank

sócios da nubank

O Nubank começou a ser elaborada em maio de 2013 a partir do desejo de desburocratizar alguns dos serviços prestados pelos bancos.

No início, os três sócios – a brasileira Cristina Junqueira, o colombiano David Vélez e o americano Edward Wible – colocaram dinheiro do próprio bolso para que o negócio pudesse sair do papel. Mas logo, em julho do mesmo ano, a fintech conseguiu fechar uma rodada de investimento, captando US$ 2 milhões.

A partir do investimento, refinaram o plano de negócio, deram abertura na empresa e em 2014 começaram a comercializar o cartão de crédito, o primeiro e o principal produto do Nubank.

O produto é bastante tradicional, você pode pensar. A disrupção proposta pelo Nubank está na forma de fazer. Não há anuidade ou cobrança de tarifas para o consumidor e as receitas vêm apenas da bandeira do cartão. A fintech se propõe a oferecer serviços nus de burocracia, papelada e letras miúdas. Daí o nome Nubank.

Ao longo do seu caminho de se tornar um unicórnio em 2018, a startup passou por outras cinco rodadas de investimento, o que é normal para uma startup de sucesso. No mundo das startups, são necessárias várias rodadas de investimento para abastecer o crescimento acelerado da empresa enquanto ela escala.

Em 2014, o Nubank realizou uma rodada de investimento de US$ 14,3 milhões. No próximo ano foram mais US$ 30 milhões investidos em outra rodada. Em 2016, o crescimento da fintech brasileira foi tanto que ela realizou duas rodadas de investimento no mesmo ano, totalizando US$ 132 milhões. E em março de 2018, o Nubank completou sua rodada de investimento Series E no valor de US$ 150 milhões (R$ 553,5 milhões), sob um valuation de US$ 2 bilhões (R$ 7,3 bilhões).

Ou seja, até o investimento da Tencent, o Nubank já havia levantado quase US$ 330 milhões (R$ 1,2 bilhão) em seis rodadas de captação de recursos, segundo valuations cada vez maiores.

Só entre março e outubro de 2018, quando foi avaliada em US$ 4 bilhões, o Nubank dobrou seu valor de mercado.

Fintechs no Brasil: um mercado aquecido

fintech

A compra do Nubank pela Tencent é mais um movimento de uma tendência dos últimos meses: o interesse da China nas startups brasileiras.

Em janeiro de 2018 foi a Didi Chuxing que comprou a 99. Em uma publicação recente, o californiano The Information noticiou uma análise em que aponta que os gigantes da tecnologia chinesa estão buscando oportunidades nos principais mercados emergentes, o que “cria desafios para seus concorrentes do Vale do Silício.”

Outra inclinação importante é a das fintechs no Brasil. Segundo o Banco Central, os cinco maiores bancos brasileiros respondem por 82% de todo o mercado financeiro do país. O Brasil possui a segunda maior taxa de concentração bancária no mundo, limitando a competição e a oferta de serviços.

Nesse sentido, as fintechs atuam preenchendo gaps importantes do sistema financeiro e têm sido repetidamente apontadas como uma das soluções para o problema.

Essa configuração aquece o mercado das fintechs no Brasil e faz delas produtos muito interessantes para investidores que estejam buscando ganhos expressivos. O retorno de um investimento em uma startup vem em múltiplos do valor investido, no momento em que a empresa atinge o exit, à exemplo da operação entre o Nubank e a Tencent.

Retornos extraordinários para os investidores iniciais

Investimentos em startups – às vezes referidos como os investimentos anjo – visam retornos expressivos no longo prazo.

Apesar desses investimentos possuírem risco elevado e baixa liquidez, em troca oferecem ao investidor a possibilidade de atingir retornos extremamente grandes, que não se comparam com nenhum outro produto financeiro disponível no mercado. Nesse sentido, a atitude mais otimizada do investidor é a diversificação.

Com planejamento e estratégia, os investimentos em startups podem desempenhar uma função importante dentro do seu portfólio: a dos retornos potenciais extraordinários.

E se você tivesse investido no Nubank?

 

Para entender melhor esses retornos potenciais de investimentos em startups, suponha que você seja um investidor em startups e fintechs como a Nubank. Como um investidor anjo, você aporta capital durante os estágios preliminares da empresa.

Reflita sobre qual seria o seu ganho em um evento como esse, quando uma gigante como a Tencent Holdings compra a sua participação segundo um valuation de US$4 bilhões (R$14,7 bilhões).

Qual seria o seu retorno ao vender sua participação segundo um valuation de US$ 4 bilhões?

Apesar de conhecermos os valores que foram aportados em cada uma das sete rodadas de investimento realizadas pelo Nubank, as participações ofertadas não foram divulgadas. Esse sigilo é comum em operações desse tipo.

Todavia, existe um certo padrão em relação ao equity que normalmente é oferecido. Essa porcentagem precisa satisfazer os interesses de quem investe e, ao mesmo tempo, ser conservadora o bastante para que a empresa tenha um cap table saudável para realizar outras rodadas de investimento no futuro, ao longo do seu caminho até exit.

Por esse motivo, na maioria das vezes, a oferta varia dentro de um intervalo de 10% a 20%.

Suponhamos que na rodada realizada em 2013 pelo Nubank, que captou US$2 milhões, tivesse sido feita via equity crowdfunding, por exemplo, e que você tivesse participado.

Para este caso, vamos admitir que a porcentagem de equity oferecida em troca tenha sido de 15% e que você tenha investido US$ 50 mil (R$ 184.500). Com esse aporte, sob um valuation de US$ 13,3 milhões, você passaria a deter 0,38% da empresa.

A matemática rápida:

2 milhões  ÷ 15%  =  13,3 milhões
50 mil  ÷ 13,3 milhões  =  0,38%

Vamos também supor que você tenha optado por não exercer seu direito de preferência nas rodadas subsequentes e que, portanto, não tenha aportado mais capital na empresa. Assim, após a sexta rodada de investimento, podemos assumir que sua participação teria sido diluída para aproximadamente 0,17%.

Finalmente chega a sétima rodada de investimento e a Tencent decide comprar a sua participação no Nubank.

Após cinco anos do seu aporte, os seus 0,17% agora valem US$ 6,3 milhões (R$ 23,2 milhões).

Nessa operação, você teria recebido US$ 6.655.580 (R$ 24.559.090) para seu equity no Nubank.

É um retorno realmente impressionante:

Retorno de 127 vezes em apenas 5 anos – igual a 166% ao ano.

Qual outro tipo de investimento oferece esse potencial?

Fintechs : mercados enormes e players gigantes

jogo de xadrez

São esses tipos de retornos potenciais extraordinários que vem atraindo o interesse de cada vez mais investidores. Um portfólio de investimentos em startups tem a capacidade de oferecer retornos potenciais dessa natureza.

E as oportunidades ficam ainda mais claras quando a empresa em questão é uma fintech. Otimizando os serviços e oferecendo produtos com juros menores, livres de taxas e tarifas, as startups do setor financeiro viabilizam alternativas mais interessantes para o consumidor, rompendo com padrões de mercados enormes.

E decerto se tornam uma preocupação para players gigantes. Além dos bancos, a ameaça revolucionária das fintechs impacta diretamente as empresas de tecnologia que fornecem serviços concorrentes aos dos bancos tradicionais, tais como a própria Tencent, WeChat, WhatsApp, Facebook, Google, Apple, entre outras.

Com deep pockets – isto é, recursos financeiros disponíveis – a alternativa para esses grupos é a compra de players menores. Além de neutralizar a concorrência, uma estratégia como essa viabiliza a incorporação das tecnologias e inovações propostas pelas fintechs, promovendo um reposicionamento do grupo no mercado. Para os investidores da startup, essa compra significa o retorno do seu investimento.

*As conversões aproximadas entre Dólares americanos (US$) e Reais brasileiros (R$) têm fins comparativos e foram realizadas com base na cotação do dia 10 de janeiro de 2019, para 1 Dólar americano igual a 3,69 Real brasileiro.

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