Fintechs se organizam para crescer

Por Carmen Nery | 21/11/2016

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A recente criação de três associações de fintechs mostra que essas startups financeiras querem se organizar para melhor se articular junto aos órgãos reguladores, investidores e mercado. Além da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), foram formadas a Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD), com sete empresas de crédito on-line, e a Associação Brasileira de Equity Crowdfunding, que reúne nove empresas e foi estabelecida às vésperas da regulamentação do financiamento coletivo pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Criada em outubro, a ABFintechs é liderada por Rodrigo Soeiro Ubaldo (Allgoo), Paulo Deitos (Urbe.me), Bernardo Pascowitch (Yubb), José Prado (Conexão Fintech), Mathias Fischer (Meu Câmbio) e Ricardo Motta (Cariocas) e já nasceu com 160 associados. Os objetivos: interlocução direta com órgãos reguladores (CVM e Banco Central) e entidades de autorregulamentação (Anbima), geração de negócios e impacto social.

“Queremos ter relacionamento produtivo com esses órgãos para criar normas que ajudem as fintechs e, ao mesmo tempo, acompanhar mudanças de regras pedidas pelos bancos que nos atrapalhem. Na geração de negócios, a ideia é conectar as startups às oportunidades, seja por meio de investidores seja por formas de chegar ao mercado. Como impacto social, os focos são a geração de emprego, a aceleração da inovação e a bancarização”, explica José Prado, cofundador da ABFintechs.

Já os fundadores da ABCD (Biva, Lendico, Geru, Bank Facil, Simplic, Trigg e Just Bank) e da Equity (Broota, Economia Criativa, EqSeed, Ideias de Futuro, Kickante, Start me up, The Pie, Urbe, Viking) consideram que precisavam de uma representatividade mais específica. Isso porque a ABFintech abrange segmentos diversificados.

Segundo dados da ABFintech, o Brasil registra mais de 220 startups prestando serviços financeiros. Outras duas iniciativas monitoram esse mercado. O Radar FintechLab contabiliza mais de 200 projetos, acompanhando diretamente 130 startups divididas em dez categorias. O portal destaca que a revolução proporcionada pelas fintechs baseia-se em quatro pilares: design centrado no usuário, serviços financeiros inovadores, eficiência, e reestruturação de relações com redistribuição de poder.

Das 130 fintechs monitoradas pelo Radar FintechLab, 70% já estão operacionais. Em 2015, de cada dez fintechs, três tiveram faturamento superior a 1 milhão de reais. Cerca de 20% possuem mais de 20 funcionários, 2/3 delas já receberam algum aporte de capital, e dentre essas, 38% receberam aportes superiores a R$ 1 milhão.

Já o Fintech Radar Brazil, lançado dia 10, é uma iniciativa da Finnovista em conjunto com a Finnovation e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A pesquisa mapeou 219 fintechs, classificadas em 11 categorias.

No mundo, o movimento fintech vem se consolidando há mais de 5 anos. Inglaterra e EUA lideram as iniciativas existentes no setor. No Brasil, o movimento é mais recente e vem ganhando maior foco e estrutura nos últimos dois anos. Até a própria crise econômica é um incentivo para as fintechs. Executivos da indústria financeira têm se motivado a deixa seus empregos para empreender.

“Muitos jovens perderam espaço no sistema financeiro e decidiram empreender aproveitando as falhas do sistema e sua lentidão em mudar, em função da regulação. Até hoje, bancos como Santander e Itaú estão se movendo para a digitalização muito mais para baixar custos do que para se aproximar das fintechs. O negócio é o mesmo, a forma de pensar o negócio é completamente diferente. Não basta digitalizar a relação com o cliente”, analisa Ricardo Rocha, professor do Programa Avançado em Finanças do Insper.

Guilherme Horn, líder de inovação aberta da Accenture, rebate os argumentos de quem considera que as fintechs sejam uma bolha prestes a estourar. Para ele, as startups financeiras vão muito bem e são o espelho da transformação digital que atinge várias indústrias.

“As fintechs representam a fragmentação da experiência de uso de serviços financeiros. Em vez de usar um banco para todas as transações, o usuário, principalmente o millennial, busca o serviço de diferentes startups que oferecem melhor experiência, menores custos, conveniência, relevância e simplicidade”, resume Horn.

O Bradesco é o banco que mais se aproximou das fintechs por meio de seu programa InovaBra, já em sua terceira edição. Segundo Marcelo Frontini, diretor do departamento de inovação do Bradesco, o programa foi criado para que o banco pudesse ficar próximo das fintechs, enxergando-as como oportunidade.

“Das oito selecionadas na primeira turma, quatro já fazem negócios com o banco – Quero Quitar, Rede Frete Fácil, Shop Mobi e Qranio. Das 12 que entraram na segunda turma, cinco já foram integradas, e outras cinco estão testando a solução”, informa Frontini.

Entre os destaques aproveitados pelo banco estão a Allgoo, robô advisor que está sendo usado para os clientes de alta renda; a Cinnecta, voltada para monitorar a experiência no mobile banking; a EasyCrédito, plataforma de análise de crédito para não-bancarizados; a Percycle, análise do comportamento em canais digitais; a SmarttBot, automatização de investimentos em bolsa que será usada na corretora Bradesco; e Ta.na.Hora.

 

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