Bolso Conectado

De investimento coletivo a escritório de contabilidade 100% digital: o que há de mais revolucionário (e eficiente) no universo das fintechs que atuam no país

Por Katia Geiling | Fevereiro de 2017

Em agosto de 2015, o Fintechlab, hub de pesquisa sobre o mercado nacional das fintechs, divulgou seu primeiro mapeamento das startups que estão transformando o modo como os brasileiros consomem serviços financeiros. Havia 57 nomes no levantamento. Após um ano, já eram 250. O aumento mostra o potencial desse mercado. “O ecossistema das fintechs está amadurecendo e agora se organiza para discutir questões como regulação e segurança”, diz Marcelo Bradaschia, sócio da Clay Innovation, de São Paulo, consultoria da qual a Fintechlab faz parte. Prova disso é que, em outubro passado, um grupo de startups criou a Associação Brasileira de Fintechs. Em pouco tempo, 186 empresas se associaram. “Pretendemos lançar um selo para que o consumidor identifique fintechs que oferecem serviços de qualidade”, afirma Rodrigo Soeiro Ubaldo, cofundador da iniciativa. “Antes de qualquer contratação, é preciso avaliar a solidez da empresa e investigar o produto oferecido. Transparência nas informações e agilidade no atendimento são indicadores fundamentais”, diz João Pedro Brasileiro, um dos idealizadores do Fintech Awards Latam, prêmio que, em abril, reconhecerá iniciativas de 20 países. Ele e Marcelo Bradaschia ajudaram a VOCÊ S/A a identificar quais são os serviços mais inovadores que as fintechs têm oferecido no Brasil.

Empréstimos

Encurtar e facilitar o caminho entre quem precisa de crédito e quem tem crédito para oferecer. Essa é a premissa das fintechsfocadas em empréstimos para pessoas físicas ou jurídicas. Além de tornar o trajeto até o dinheiro menos tortuoso e burocrático, a tecnologia dessas startups permite cruzar dados comportamentais do consumidor. Isso reduz o risco e o custo das transações. É preciso ler o contrato, checar o Custo Efetivo Total da operação (preço real) e tomar cuidado. “Um golpe comum em empréstimos pela internet é exigir um depósito antecipado para a liberação do crédito”, diz Ione Amorim, economista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), de São Paulo.

Nexoos

Plataforma para pequenas e médias empresas que conecta empreendedores a investidores. Ganhadora do CMS Fintech Awards 2016, torneio realizado por um importante evento do mercado de crédito, cobrança e contact center, o Nexoos começou a atuar no Brasil em setembro e já viabilizou 2,5 milhões de reais em empréstimos para 24 empresas. O empreendedor que precisa de crédito faz sua solicitação e, se a empresa for aprovada, é ranqueada e recebe uma taxa de juro associada: quanto pior a classificação, maior o risco, maior a taxa de juro do empréstimo e maior a rentabilidade de quem investe. A plataforma tem atraído investidores que buscam uma opção com maior rentabilidade do que CDB e Tesouro, mas preferem evitar um risco tão alto quanto o da Bolsa de Valores (a lucratividade dos investimentos varia de 18% a 26% ao ano. Já as taxas de juros de empréstimos ficam entre 1,6% e 2,25% ao mês). | www.nexoos.com

Easy Crédito

Site financeiro voltado para pessoas físicas: que faz a ponte virtual entre quem tem ppuco ou nenhum acesso ao sistema financeiro e empresas que oferecem empréstimo, cartão de crédito, financiamento ou crediário. Não é preciso ter conta em banco para realizar a operação. A plataforma cruza dados de redes sociais, localização de GPS do celular e 450 outras informações de fontes públicas ou privadas para desenhar o perfil de quem solicita o crédito. As taxas cobradas variam de acordo com o que cada instituição pratica. Foi uma das finalistas da primeira edição do Fintech Day do Ciab FEBRABAN, uma competição entre fintechs para identificar as mais preparadas para desenvolver parcerias com os bancos. | www.easycredito.me

Investimentos pessoais

Atrair clientes que não tem ideia de como começar a aplicar seu dinheiro num lugar que não seja poupança e acham a linguagem dos bancos e corretoras complicada demais. Ajudá-los a decidir como e onde investir levando em conta perfil e objetivos é o pulo do gato desse tipo de fintech. A construção dos portfólios é feita com a ajuda de robôs, que cruzam dados e propõem o melhor pacote de soluções para cada caso. “Esse tipo de análise pode ser até mais certeiro do que o do gerente do banco, que tem meta para bater e nem sempre sugere o mais adequado ao perfil do consumidor”, diz William Eid, professor de finanças da Fundação getulio Vargas, de São Paulo.

Warren

Desenvolvida para cair nas graças de candidatos a investidores de 25 a 30 anos, a plataforma tem visual leve e abordagem engraçadinha. O robô advisor que interage com quem acessa o sistema faz perguntas que classificam o usuário de acordo com suas metas e seu perfil de tolerância a riscos. Warren (sim, o robô tem o mesmo nome de Warren Buffet, lendário investidor americano) sugere uma carteira de investimentos diversificaos, equilibrando variáveis de risco e retorno. É possível fazer aplicações a partir de 100 reais. A plataforma cobra 0,80% ao ano sobre o total investido – bancos e corretoras abocanha, em média, 3%. | www.oiwarren.com

Magnetis

Também opera com o sistema de robô advisor, que analisa o perfil do usuário por meio de um questionário bem simples. O sistema diz qual é a chance de o investidor atingir, no período estipulado, o montante que ele deseja e sugere a carteira ideal para o plano se concretizar. A taxa cobrada varia de 0,20% a 0,40% ao ano, dependendo do valor investido. | www.magnetis.com.br 

Investimento coletivo

O equity crowdfunding, que possibilita a pequenos investidores comprar participação acionária de startups em estágio inicial, é a bola da vez. Investir coletivamente numa das plataformas especializadas que já operam por aqui é um processo simples e acessível. No entanto, é preciso saber interpretar um plano de negócios na hora de avaliar possibilidades de retorno – que em geral, não acontecem antes de três anos. “É importante ainda analisar o contrato com calma e, se for o caso, pedir orientação de um especialista”, diz Ricardo Humberto Rocha, professor de finanças do Insper, de São Paulo.

EqSeed

Aproxima investidores e startups. A empresa novata, que já precisa estar em atividade, faz uma oferta de captação na plataforma, com meta e prazo para atingi-la. Cada investidor decide o tamanho do aporte que pretende realizar. O depósito é feito quando a captação termina, na conta da startup. Num primeiro momento, quem colocou dinheiro torna-se credor dela. A participação futura fica garantida em contrato: quando a companhia se transforma numa Sociedade Anônima, o investidor vira acionista. Antes de ter sua oferta divulgada, a startup passa por uma seleção muito rígida. A EqSeed só aprova empresas que estejam em expansão e apresentem potencial de crescer de forma consistente. A sacada do modelo é que pequenos investidores podem se tornar sócios de empresas promissoras: dá para fazer aportes a partir de 1% do valor que será captado (até o momento, esse valor é de 3 000 reais). | www.eqseed.com

Urbe.me

Criada com o objetivo de democratizar o acesso a investimentos imobiliários, uma praia historicamente restrita a quem tem muito capital, permite aportes a partir de 1 000 reais. Os empreendimentos disponíveis no catálogo são antes avaliados pela Urbe.me, que analisa rentabilidade estimada, riscos e garantias do negócio. O investidor adquire um título que confere o direito a uma participação sobre o valor geral de vendas (VGV) do empreendimento. Quando o empreendimento começa a ser comercializado, o repasse dos resultados é feito periodicamente na conta do investidor. | www.urbe.me

Contabilidade online e gestão de negócios

Pequenos e microempreendedores cortam um dobrado para administrar o estoque e o fluxo de caixa e penam para arcar com o custo fixo do contador. Algumas fintechs encararam esse cenário como oportunidade e desenvolveram soluções para simplificar e baratear serviços de gestão financeira e de contabilidade. “Muitas pessoas acham que o contador deve ser um conselheiro financeiro e têm uma certa dependência psicológica dessa figura. O escritório de contabilidade é um aglutinador de informações e uma boa plataforma digital pode suprir isso”, diz Willian Eid, professor da FGV.

Contabilizei

Atende micro e pequenas empresas. A partir de 49 reais mensais, é possível, por exemplo, emitir nota fiscal eletrônica, gerenciar folha de pagamentos e receber avisos pelo aplicativo informando quando é preciso pagar alguma taxa ou imposto. Em maio passado, a contabilizei foi eleita a melhor empresa B2B do Latam Founders Awards Gala, premiação conhecida no mercado como o oscar das startups na América Latina. | www.contabilizei.com.br

Conta Azul

Fundada em 2011, é uma das fintechs mais consolidadas do país. Foi a primeira brasileira selecionada pela 500Startups, um dos principais programas de aceleração de negócios no Vale do Silício. Oferece sistema de gestão financeira para empresas: organiza as contas a pagar e a receber, gera relatórios de caixa, controla estoque. A vantagem é que as informações não ficam armazenadas em dezenas de planilhas. A plataforma reúne tudo na tela do usuário, que no começo do dia tem uma visão de todas as movimentações de entrada e de saída que vão acontecer. O valor dos planos varia de 39 reais a 279 reais por mês. | www.contaazul.com

 

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