Originalmente publicado em Jornal O Globo

RIO – O investimento coletivo em novas empresas, o chamado “equity crowdfunding” , mais do que triplicou no Brasil no ano passado. Segundo balanço da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regulamentou a vaquinha on-line de investidores há dois anos , a modalidade levantou R$ 46 milhões para 46 empresas em 2018. Em 2017, a captação havia sido de R$ 12,8 milhões, para 22 projetos.

O “equity crowdfunding” permite que empresas nascentes levantem capital junto a grupos de investidores pessoas físicas na internet. A modalidade representa uma alternativa ao crédito bancário e ao mercado de capitais tradicional, de difícil acesso à maioria dos empreendedores. Para o investidor, o “equity crowdfunding” funciona como uma oportunidade de diversificação – embora a aplicação seja considerada de alto risco, já que as companhias costumam estar em estágio inicial de desenvolvimento.

Antes de ser regulamentado , em julho de 2017, o “equity crowdfunding” era praticado com base em lacunas das regras de mercado, limitando-se a companhias que se enquadrassem no Simples (faturamento de até R$ 3,6 milhões ao ano). Com a regulamentação da CVM, empresas que faturam até R$ 10 milhões foram autorizadas a levantar recursos dessa forma por meio de sites previamente aprovados pelo órgão. Cada empresa pode captar até R$ 5 milhões.

Em 2016, quando o “equity crowdfunding” surgiu no país e não havia regulamentação, foram captados R$ 8,34 milhões por 24 empresas, segundo o levantamento da CVM. O valor representou apenas um quarto do montante que as empresas buscavam captar naquele ano, já que o modelo esbarrava na falta de conhecimento do público e em insegurança jurídica. No ano passado, o percentual de ofertas fechadas com sucesso subiu para 82%.

O valor médio captado por empresa também subiu, batendo R$ 1 milhão em 2018, contra R$ 583,4 milhões um ano antes. Em 2016, o montante fora de R$ 347,6 milhões. Com o aumento dos valores, também ampliou-se o leque de projetos. Se, no início, apenas start-ups buscavam o modelo, agora companhias da economia real e até projetos imobiliários recorrem ao financiamento coletivo. No ano passado, a cervejaria 3Cariocas levantou R$ 2 milhões por meio da plataforma EqSeed.

A popularização do modelo também fica clara no número de investidores envolvidos. No ano passado, 8.966 pessoas contribuíram com campanhas de “equity crowdfunding”, contra 2.467 em 2017. Em média, cada investidor aplicou cerca de R$ 5,1 mil. Em 2016, quando menos pessoas aplicavam na modalidade, a média era maior: de R$ 7,6 mil por pessoa.

No ano passado, também saltou a quantidade de plataformas que agregam ofertas de “equity crowdfunding”. Em 2016, eram quatro pioneiras; em 2017, havia apenas cinco. Já em 2018, o número subiu para 14.