Artigo orginalmente publicado na Valor Investe.

A Ulend, fintech especializada em empréstimos entre pessoas (“Peer to Peer Lending” – P2P), acaba de receber R$ 4,8 milhões de investimento de três ex-sócios da XP Investimentos. O recurso será utilizado para a criação de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) para ser usado para atender a demanda de empréstimos e criar novos produtos para os clientes da plataforma.

Em 2020, a fintech encerrou o ano com uma carteira de R$ 39 milhões, o que representa crescimento de 354% em relação ao ano anterior. Em termos de novos investidores, o incremento foi de 61% em relação a 2019. Já a rentabilidade bruta da empresa atingiu 26,71%, enquanto o índice de inadimplência foi de apenas 7,21%.

Embora seja um mercado relativamente novo, o peer to peer (P2P) cresceu significativamente no ano da pandemia. No auge da crise, entre fevereiro e março do ano passado, a Ulend registrou aumento de 30% na procura por crédito.

“Neste cenário de crise econômica causada pelo coronavírus, muitas micro e pequenas empresas precisam acessar capital de maneira rápida e segura, o que justifica esse crescimento”, lembra o sócio fundador da Ulend, Gabriel Nascimento.

Os ex-sócios da XP conheceram a ULend via EqSeed, descobrindo e investindo pela primeira vez em 2019, via a rodada recorde da ULend.

Para 2021, a expectativa do executivo é que a startup cresça próximo de 300% em relação a 2020. Com uma carteira de R$ 112 milhões e 22% em rentabilidade. A previsão é que tanto as pequenas e médias empresas (PMEs) quanto as empresas maiores se capitalizem para manter suas operações diante da crise, portanto o mercado deve ficar aquecido no setor”, finaliza Nascimento.

O P2P é também conhecido como empréstimo entre pessoas e se caracteriza pelo uso de plataforma na web para captação e distribuição de valores, sem a intervenção de uma instituição financeira tradicional.

No Brasil, ele é regulamentado desde 2018 pelo Banco Central, que criou duas novas modalidades de empresas de crédito não vinculadas a banco ou instituição financeira: as Sociedades de Crédito Direto (SDC) e as Sociedades de Empréstimo entre Pessoas (SEP).