Como Conseguir Dinheiro para a sua ideia de negócio

Falta de capital não é motivo para deixar de empreender. do financiamento coletivo ao corporate venture, existe uma ampla rede de apoio à disposição dos fundadores. Descubra qual é a fonte de recursos que mais combina com a sua empresa

Por Thomaz Gomes | Maio de 2017

Trecho da matéria, leia o artigo completo no site Pequenas Empresa Grandes Negócios

Todo empreendedor tem a própria história sobre como levantou capital para abrir o primeiro negócio. Alguns começam de forma modesta, com reservas pessoais acumuladas ao longo de anos. Outros entram no jogo catapultados por cheques milionários de investidores.

Há também aqueles que recebem a ajuda de familiares ou recorrem às linhas de crédito bancárias. E existem profissionais que fazem uso das verbas rescisórias recebidas após uma demissão para realizar o sonho de empreender. Não existe jeito certo de captar dinheiro. Trata-se de um processo de tentativa e erro. Nessa etapa, sai na frente quem é capaz de identificar o tipo de suporte necessário para fazer sua empresa crescer.

Períodos de crise levam a negociações financeiras mais lentas e rigorosas, seja para quem vai conversar com o gerente do banco, seja para quem pretende levantar uma rodada de investimento.

O cenário de cautela, no entanto, não deve ser confundido com escassez de recursos. “Não falta dinheiro para negócios que consigam entregar rentabilidade a partir de estruturas enxutas. O contexto econômico faz com que bancos e investidores fiquem ainda mais interessados em empresas com riscos operacionais reduzidos”, diz José Pereira da Silva, professor de administração contábil e financeira da FGV/Eaesp.

A disponibilidade de capital pode ser observada na ampla rede de apoio disponível para as empresas brasileiras. Trata-se de um ecossistema formado por incubadoras, investidores-anjos, bancos, agências de fomento e fundos de investimento — e, mais recentemente, reforçado por plataformas de crowdfunding e programas de inovação corporativos.

“O volume de demandas de setores como saúde, logística e educação continua fazendo do Brasil um mercado extremamente atraente para diversas modalidades de investimento. Existem recursos abundantes para quem oferece soluções inovadoras”, afirma Manoel Lemos, sócio do fundo Redpoint eventures.

O surgimento de novas frentes de apoio fica evidente em histórias como a do arquiteto paraense Márcio Sequeira, criador do Mola Structural Model, kit de engenharia desenvolvido com R$ 600 mil captados entre usuários de um site de financiamento coletivo.

“Já havia identificado uma grande base de clientes interessados no produto. Oferecer uma solução para uma demanda comprovada foi essencial para incentivar as contribuições do público”, diz Sequeira. Para ele, a vantagem do financiamento coletivo é que não existe compromisso com bancos ou investidores. “Mas é preciso se preparar para entregar um produto dentro dos prazos e das expectativas dos consumidores”, afirma.

A combinação entre eficiência operacional e potencial de mercado também está presente na história dos cariocas Rodrigo Salvador e André Simões, fundadores do PasseiDireto, rede social para estudantes universitários.

Fundada em 2013, a startup recebeu mais de R$ 27 milhões de fundos de investimento antes mesmo de apresentar uma fonte de receita inicial. “Os volumes dos aportes foram se intensificando à medida que batíamos as metas estipuladas pelos investidores. Mostrar capacidade de execução é tão importante quanto comprovar o potencial de crescimento da ideia”, afirma Salvador.

Partindo de extremos opostos da escala de riscos, as trajetórias desses dois empreendedores representam a enorme gama de possibilidades que existe para tirar um projeto do papel. Cada um à sua maneira, eles mostram que captar recursos é uma arte diretamente relacionada à capacidade de vender ideias, comprovar resultados e, sobretudo, bater na porta certa. A seguir, veja onde e como encontrar o tipo de dinheiro mais indicado para o seu negócio.

Antes da busca Estude a necessidade

Avalie qual é o volume de recursos pessoais que pode ser aplicado no negócio, antes de procurar bancos e investidores. Só recorra a capital externo caso seja realmente necessário.

Mapeie as possibilidades

Estude quais são as fontes de apoio mais alinhadas ao perfil da empresa. Para buscar dinheiro no capital de risco, por exemplo, é preciso apresentar projetos de crescimento acelerado e estruturas enxutas.

Organize as finanças

Receber capital externo é uma operação de risco para quem aplica e para quem recebe o dinheiro. Mantenha o fluxo de caixa equilibrado para atender às expectativas de credores e investidores.

FINANCIAMENTO COLETIVO A nova fase do crowdfunding

Empreendedores de tecnologia passam a fazer uso das plataformas de financiamento coletivo, que já eram populares na economia criativa.

Durante anos, os sites de financiamento coletivo estiveram ligados à captação de dinheiro para projetos pessoais. A popularidade de campanhas para realizar viagens, CDs e exposições independentes reforçou a imagem dessas plataformas como “vaquinhas virtuais”.

Embora a vocação para as áreas de cultura e entretenimento continue forte, o crowdfunding também começa a despontar como uma nova fonte de capital para negócios em setores como engenharia e tecnologia.

A mudança de comportamento pode ser observada em casos como o da Pebble Watch, startup americana que obteve mais de U$ 10 milhões no Kickstarter para desenvolver um relógio conectado à internet. Atraídas pela possibilidade de levantar dinheiro sem pagar juros bancários ou negociar contratos com investidores, algumas empresas brasileiras já trilham o mesmo caminho.

A tendência colaborativa chegou inclusive ao capital de risco, com a popularização do equity crowdfunding — plataformas de investimento coletivo que convertem as contribuições dos usuários em microparticipações nas empresas.

Onde pedir

Três plataformas brasileiras de financiamento coletivo

Catarse

Pioneira no crowdfunding nacional, a plataforma contabiliza mais de 2,6 mil projetos financiados. A taxa pelos valores arrecadados é de 13%.

Kickante

Além das campanhas de captação de recursos, oferece uma ferramenta de contribuições mensais recorrentes. As comissões variam entre 12% e 17,5%.

Benfeitoria

Site de financiamento coletivo voltado para projetos de impacto social, econômico, cultural e ambiental. Não cobra taxas sobre as contribuições.

Como engajar

Três dicas para organizar uma campanha de crowdfunding

Avise os amigos

O apoio da rede pessoal do empreendedor é essencial para tracionar as campanhas – a primeira leva de contribuições costuma vir de usuários próximos ao autor ou comprometidos com a causa.

Divulgue na rede

Não restrinja os textos e vídeos de divulgação à página de arrecadação. O conteúdo deve ser compartilhado em redes sociais e listas de e-mail para ampliar a visibilidade da ideia.

Recompense

Oferecer brindes e benefícios é uma boa alternativa para aumentar a conversão de cotas de valores mais altos. Também é possível usar essa estratégia para fazer a pré-venda de produtos.

Risco diluído

Nessa nova modalidade de financiamento coletivo, que começa a ser difundida no país, os usuários não recebem recompensas pela contribuição ao projeto. Em vez disso, passam a ter pequenas participações nas empresas apoiadas.

O formato ainda está em fase de regulamentação pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Mas já existem empresas que oferecem esse tipo de crowdfunding no Brasil: é o caso da Broota, da Eqseed e da Eusocio.

Expectativas compartilhadas

Enquanto fazia um mestrado em engenharia, o arquiteto paraense Márcio Sequeira, 35 anos, desenvolveu um instrumento composto por molas e ímãs para estudar o comportamento de estruturas como torres, pontes e prédios.

O aparelho chamou a atenção de colegas e professores, que sugeriram a criação de uma versão comercial do produto. Durante quatro anos, Sequeira tentou captar dinheiro em programas de incentivo à pesquisa, linhas de crédito e grupos de investidores. Ninguém quis apostar na ideia. “O nicho era muito específico. Precisava de capital para fabricar o primeiro lote e comprovar o potencial de mercado”, diz.

Em 2014, o empreendedor decidiu lançar uma campanha no Catarse, site brasileiro de financiamento coletivo. A meta inicial era captar R$ 50 mil para a montagem de cem kits-piloto.

Antes de colocar o projeto no ar, ele contratou uma produtora de vídeo e enviou uma mala direta para os mais de 10 mil contatos que havia levantado durante os anos de pesquisa. O sucesso da iniciativa o pegou de surpresa: em 45 dias, o Mola Structural Model captou R$ 600 mil entre os usuários do site. Até hoje, o valor permanece como recorde da plataforma.

Além de financiar a criação do produto, a campanha serviu para fazer a pré-venda do lote inicial — dos 1,5 mil apoiadores do projeto, cerca de 90% compraram cotas atreladas ao recebimento do produto. Para atender ao volume dos pedidos, Sequeira precisou formalizar a estrutura da empresa. “Aluguei um espaço para a montagem dos kits e contratei funcionários para dar escala à fabricação. O dinheiro extra serviu para financiar o meu capital de giro”, diz.

No início do ano, foi anunciado o lançamento do segundo lote de produtos. Em fase de pré-venda, os kits já acumulam cerca de 2,5 mil pedidos — a previsão é chegar a 4 mil unidades até o final do ano.

O passo seguinte é desenvolver uma versão voltada para redes de ensino e professores de física no ensino médio. Para viabilizar o projeto, Sequeira pretende recorrer novamente ao crowdfunding. “É o formato ideal para mim. Além de levantar recursos, consigo testar o potencial da minha proposta sem precisar gerar retorno para investidores.”

 

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