Artigo originalmente publicado no DCI.

De acordo com especialistas, o equity crowdfunding é nova aposta de investidores no cenário de crise e, mesmo com muitos riscos, alternativa pode somar mais de R$ 2 bilhões até o ano que vem

São Paulo – O investimento em startups, apesar do alto risco, atrai um número maior de interessados no setor. A expectativa de direcionamentos de recursos é da ordem de R$ 2,8 bilhões até 2017. Porém, lucro depende de cautela no aporte e de fazer uma carteira de empresas.

Segundo os últimos dados da Associação Anjos do Brasil, até julho do ano passado, esse tipo de investimento (também conhecido como equity crowdfunding) havia somado R$ 784 milhões, um aumento de 14% em relação a igual período de 2014.

De acordo com Brian Begnoche, fundador da Eqseed, plataforma voltada para esse investimento, o momento do País é uma oportunidade para startups (empresas de tecnologia em fase inicial) e, consequentemente, para quem planeja colocar um aporte no setor.

“A crise não acontece da mesma forma do que é nas grandes empresas. Enquanto essas últimas precisam reduzir verba e tentar manter a qualidade do serviço, a startup se utiliza de inovação para crescer, já que sua estrutura não permite corte de gastos no orçamento. E com as grandes reduzindo despesas e selecionando clientes, há uma grande possibilidade de adesão desses contratos por esses novos negócios”, avalia.

No entanto, segundo Cássio Spina, fundador da Anjos do Brasil, apesar da grande quantidade de empresas criadas, o principal atrativo do equity crowdfunding é a oferta de inovação, acreditada pelos investidores como o “motor da geração”, pelos índices de alto valor e capacidade econômica. “Tem muitos exemplos de empresas que não existiam há 15 anos mas que, hoje, são multibilionárias”, afirma.

Segundo dados da Serasa Experian, fevereiro deste ano bateu o recorde histórico de empresas criadas, atingindo 165.028, alta de 14,2% em relação a igual mês de 2015.

Os executivos ainda ressaltam que, apesar de ser um processo simples e de permitir a participação de investidores com menos recursos, há um menor acesso às informações e à participação na gestão do negócio. Uma vez que a maioria das empresas libera entre 10% e 20% para participação societária, dependendo do perfil do investidor, a margem de lucro está perto de 1% deste total cedido. “Ele acaba sendo um investidor passivo, sem direito de influir na gestão e limitado a atuação de credor”, complementa Spina.

Altos riscos

Os especialistas ouvidos pelo DCI ainda atentam para os grandes riscos do setor e aconselham cautela na hora de fazer o aporte. Eles também ressaltam a importância de montar uma carteira em prol de conseguir retorno.

“O que o investidor encontra nesse cenário é um produto financeiro de diversificação de carteira. É algo bem arriscado e que, por isso, é preciso limitar o investimento em torno de 10% do patrimônio total, porque a grande probabilidade é que muitos negócios vão acabar falecendo, é natural. A estratégia principal é construir um portfólio de empresas, porque assim você diminui amplamente o seu risco”, identifica Begnoche, da EqSeed.

De acordo com Spina, da Associação Anjos do Brasil, apesar dos riscos e cautelas necessários, o retorno é o que tem feito o setor se destacar.

“O potencial de retorno alto, compensa o risco. É só preciso ter consciência de que é um investimento de muito longo prazo e é aconselhável sempre procurar, como garantia, por investidores líderes, que são aqueles que conhecem sobre o assunto e já tem histórico profissional voltado para isso. Tomando esses cuidados, é um bom investimento”, conta.

Os executivos afirmam que, apesar de “carente” de empreendedores preparados para esse setor, o mercado tem um grande potencial. “O Brasil está cheio de empresas de qualidade, o que falta é capital de risco”, explica Begnoche.

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