Artigo originalmente publicado no portal Gazeta do Povo.

Investir em startups que podem valer mais de US$ 1 bilhão no futuro passou a ser tão fácil quanto realizar aplicações financeiras pela internet. Por um aplicativo, a fintech carioca EqSeed permite que o investidor, já cadastrado, faça aplicações a partir de R$ 5 mil em poucos minutos. A empresa que vende fatias do negócio, por sua vez, recebe o aporte 10 dias após a negociação. Em cinco anos, a plataforma concluiu 30 rodadas de investimento, que totalizaram R$ 30 milhões em captação — com valor médio de R$ 1 milhão por rodada.

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que regula o mercado de capitais, criou em 2017 uma regulamentação específica para o equity crowdfunding, como é chamado este tipo de investimento. Pela regra, apenas startups com faturamento anual de até R$ 10 milhões podem realizar ofertas por meio de financiamento coletivo.

“Antes da regulamentação da CVM, as rodadas não chegavam em R$ 300 mil. Agora, passam de milhões. Há mais credibilidade no investimento pelas regras e pela quantidade de negociações realizadas”, afirmou Brian Begnoche, sócio-fundador da EqSeed.

De acordo com o economista norte-americano, a fintech permite que investidores tenham acesso a startups promissoras no início da operação para que cresçam junto com elas. “Imagina quem teve oportunidade de investir no Nubank quando o banco estava começando? Na época, os investidores não tinham acesso a esses unicórnios”, questionou ele.

Para os empreendedores, Begnoche garante que recorrer ao equity crowdfunding é uma maneira rápida e segura para capitalizar o negócio sem “vender se tornar funcionário da própria empresa”. “Jovens empresários costumam se preocupar com o valuation do negócio e acabam vendendo muito da empresa. Na EqSeed, eles dizem o valor que querem de equity e o percentual oferecido da startup”, explicou o economista.

Entre os negócios promissores que buscam investimento na plataforma está a Joycar, de mobilidade urbana, que é residente do Cubo Itaú, maior hub de empreendedorismo da América Latina. A empresa quer captar R$ 3 milhões, por 22,5% de participação societária.

Segundo Bruno Diniz, professor de fintechs da FGV (Fundação Getulio Vargas), antes de recorrer a uma plataforma de financiamento coletivo, os empreendedores devem buscar empresas que tenham bom histórico de captação em projetos anteriores e estar cientes dos custos cobrados pela operação. “O ideal é que o empreendedor também entre em contato com outras startups para saber qual foi a experiência delas no processo, mitigando riscos”, alertou o especialista, membro da ABStartups (Associação Brasileira de Startups).

Regras da plaforma:
Na EqSeed, a startup deve estar faturando os primeiros milhares ao mês, ter escalabilidade e um fundador com visão de futuro para poder captar dinheiro. Não há preferência por setor. “Se a empresa conseguir captar o investimento desejado, recebemos um percentual de captação de 10% [do total captado]. Caso contrário, não recebemos nada”, detalhou Begnoche.

Com o sucesso do negócio, a EqSeed deve dobrar de tamanho até o final do ano, passando de 20 funcionários para 50. “Queremos chegar a R$ 100 milhões investidos [o triplo do atingido em 2019] em breve”, calculou o norte-americano, sem revelar um prazo.