Entrevista com investidor de startups: Conheça Nick Johnston, co-fundador da Bacio di Latte, que hoje constrói seu portfólio de investimentos em startups pela EqSeed.

 

Tivemos o prazer de conversar recentemente com Nick Johnston, empresário que fundou a Bacio di Latte – importante marca do ramo de gelato e sorvete no Brasil. Além de empresário, Nick é investidor de startups.

Ele nos contou um pouco sobre porque ele se interessou por esse tipo de investimento e decidiu construir seu portfólio de startups por meio da plataforma EqSeed.

 

Nick, nos conte um pouco mais sobre você e sua carreira. Quem é Nick Johnston?

Sou escocês, tenho 50 anos e me formei em administração de empresas em Edimburgo, Escócia. Trabalhei em várias indústrias na Europa, incluindo hotelaria, iates privados e projetos high-end de prédios.

Num determinado momento da minha vida, resolvi tirar um ano sabático e vim para o Brasil.

Através de amigos, conheci meus sócios italianos na Europa. Eles me perguntaram se eu tinha interesse em um modelo top of the range de gelateria no Brasil. Na hora aceitei. Por ter morado na Itália, eu conhecia o que é uma boa gelateria e sabia que não existia nenhuma nesse nível no Brasil. Esse foi o começo do Bacio di Latte, 8 anos atrás.

Por que você acha interessante investir em startups?

Se você quer ter bons retornos, vai ter que tomar riscos calculados. Você avalia o tamanho do risco. Investir em empresas na Bovespa é um risco, investir em empresas privadas que não são listadas na bolsa é outro.

Quando eu comecei a Bacio di Latte, recorri a empréstimos de familiares, porque era muito caro pegar empréstimos no banco no Brasil. Isso foi o suficiente para fazer o negócio crescer inicialmente. Se nós não tivéssemos esse investimento inicial, eu não sei como eu teria conseguido tocar a empresa.

7 anos depois do início da Bacio di Latte, eu comecei a pesquisar sobre a regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e assim conheci a modalidade de investimentos através de equity crowdfunding. Achei bastante interessante o fato de ser um tipo de crowdfunding de equity feito de uma maneira profissional, com um agente aprovado pela CVM.

Acredito que a EqSeed uniu esse modelo de equity crowdfunding à legislação brasileira. Isso permitiu que pessoas como eu, que têm interesse em investir em empresas, pudéssemos ter a possibilidade de investir em empresas privadas que normalmente não teríamos acesso sem a EqSeed.

Para você, o que é atraente sobre investimentos em startups em comparação com outros investimentos mais tradicionais?

Gosto muito da ideia de dividir a visão com os empreendedores, tenho bastante interesse nisso.

Como se fosse um Smart Money?

Alguns poderiam chamar assim. Eu gosto de contribuir quando consigo agregar valor.

Quando você encontra um empreendedor com um modelo de negócio em curso no qual você enxerga um grande potencial de sucesso, é ótimo poder participar disso.

Não existem garantias, há risco envolvido, mas se você acredita que aquela startup possui uma maneira única de abordar um novo mercado, possui demanda e faz algo que ninguém fez antes, isso significa que você tem chances de ser bem-sucedido em seu investimento.

Como você está colocando um valor menor em vez do valor total de uma determinada rodada, você está menos exposto ao risco do que, por exemplo, os fundadores da empresa. E passa a ter acesso a outros mercados que normalmente você não teria.

Quando você começou a investir em startups?

Considero que comecei no meu próprio negócio, há 8 anos atrás.

Já com investimentos em startups através de equity crowdfunding, comecei a investir há um ano atrás pela EqSeed, quando conheci a plataforma. Eu já tinha investido em uma empresa de tecnologia de um amigo meu que conheço há 10 anos. Fiz mais de um investimento na empresa dele.

Em empresas em estágios mais iniciais, é difícil executar a transparência e a prestação de contas com os investidores. O que é interessante é que na EqSeed vocês são intermediários, seus “stakeholders” são os dois lados.

Por isso, vocês sabem indicar para as empresas o que precisa ser apresentado e o que é esperado, e os investidores sabem que estão considerando uma oportunidade de investimento que foi pré-filtrada.

Quais tipos de empresas você procura para seu portfólio de investimentos em startups?

Não procuro perfis específicos. Negócios são que nem pessoas: você tem pessoas boas fazendo algo bom em vários ambientes, com todo tipo de material e com todo tipo de solução, mas é claro que com tecnologia as coisas são mais rápidas. Há mais oportunidades e potencial disruptivo em empresas de perfil tecnológico.

Recentemente, estávamos fazendo um tour virtual em uma das nossas lojas com fotos 360 graus. Achei aquilo impressionante. Sem sair da sua casa, você pode andar dentro da nossa loja e ver tudo que tem dentro dela. Há 5 anos atrás, isso era impensável.

Tecnologia, por definição, é onde as maiores oportunidades estão. Os consumidores estão se tornando mais exigentes. Ao buscar uma casa para alugar, por exemplo, eles querem não só alugar, mas saber sobre todas as informações da casa, onde fica cada cômodo e como é por dentro.

Eu também tenho interesse em energias alternativas. Acredito que há um grande futuro em tecnologias voltadas para esse ramo.

Quais você considera os pontos mais importantes para analisar quando você está decidindo investir em uma startup?

Provavelmente o mais importante são as pessoas – os empreendedores. Mas uma pessoa boa com uma ideia ruim não necessariamente vai capturar a atenção. Então é a combinação da pessoa certa com a ideia certa.

Eu avalio se a ideia é interessante, se tem um grande mercado consumidor e se as pessoas que estão fazendo estão realmente apaixonadas por isso, porque não é fácil empreender. Quanto mais paixão de fazer acontecer, maior a probabilidade de acontecer.

Quais são os pontos mais importantes que fazem de uma startup um investimento atrativo, ao seu ver?

Principalmente as pessoas e a ideia, mas um pouco de “química” também é importante.

Uma das coisas que gosto do processo de investimento na EqSeed é que você pode conversar por telefone, webinar ou até cara a cara com a pessoa que está por trás da empresa. Assim, você não enxerga somente um plano de negócios.

Já participei de alguns dos eventos Pitch Days da EqSeed aqui em São Paulo e gostei muito. É uma oportunidade de ter uma conversa olho no olho com a pessoa por trás do plano de negócios, em que você consegue questionar e esclarecer suas dúvidas, e assim perceber se o empreendedor tem conhecimento suficiente para clarificar as coisas. Os pitches para investidores são muito interessantes como uma opção para colocar mais vida aos planos de negócios.

Uma das empresas que captou pela EqSeed – a Peepi – utilizava embaixadores da marca para promover produtos. No nosso caso com a Bacio di Latte, estamos plenamente convencidos que boa parte do nosso sucesso foi devido à nossa presença em redes sociais.

O que você achou das empresas disponíveis na plataforma EqSeed, de forma geral?

Acho as opções extremamente interessantes, e imagino que vocês recebem milhares de propostas para avaliar todo ano.

É muito bom ter a possibilidade de olhar novas oportunidades de investimento em empresas privadas.

Sei que nem todas vão ser um sucesso, mas a diversidade de propostas é muito rica e variada para construir um portfólio diversificado de investimentos em startups.

As oportunidades vão desde uma cervejaria como a 3Cariocas, até uma “agtech” de drones para agricultura, como a Horus Aeronaves, ou uma startup de entregas para e-commerce, como a Pegaki.

É importante ter um grau de diversificação saudável no meu portfólio de startups – empresas de vários setores e etapas de maturidade diferentes – e a EqSeed torna esse trabalho mais fácil.

Agora a EqSeed está oferecendo investimentos Venture Capital, além de investimentos Seed. O que você acha desse novo produto?

Eu acho que tem investidores interessados em todos os tipos de investimentos em startups. O que me interessou na EqSeed foi o mecanismo de equity crowdfunding operando de forma regulamentada, com aprovação da CVM. Eu achei esse cenário muito maduro e inovador para o Brasil, e considerei que é um grande diferencial para a EqSeed ter conseguido tão rapidamente a aprovação para realizar rodadas de investimento dentro do limite de R$ 5 milhões [por empresa, por ano].

Isso me trouxe com mais clareza a definição do que é o equity crowdfunding, o que é uma oferta pública de valores mobiliários e o que a EqSeed representa nesse mercado. Eu achei muito interessante esse mecanismo de financiamento, porque vivi esses desafios na pele com o meu negócio, fui testemunha de como é difícil conseguir tração no começo.

Você gosta do fato de que você transfere o valor do seu investimento somente ao final da rodada? Isso dá mais segurança para você?

Sim, eu acho que é o mais sensível no processo, e essa é a maneira mais transparente de lidar.

O fato de quem assina antes tem a prioridade (first-come, first-serve) é meritocrático, e considero, portanto, positivo.

Acho que é justo transferir o valor do investimento somente quando se atinge 100% do valor total da rodada, e também achei a assinatura online muito inovadora.

Para você, qual é o risco de investir em startups?

Bom, você não deve investir o que não pode perder. Você está arriscando o que está investindo. Agora, o interessante é que se trata de algo diferente de investir no seu próprio negócio. Quando você investe como empreendedor, você coloca mais que o capital, ficando encarregado de qualquer passivo.

Já quando se investe em startups pela EqSeed, você tem uma nota conversível, o que te isola, como investidor, da parte jurídica da empresa. Assim, a responsabilidade e riscos são reduzidos, mas o potencial de crescimento em termos de benefícios econômicos é dividido proporcionalmente.

Qual é sua atitude sobre esse risco? Você aplica uma estratégia específica para gerenciar esse risco?

Não uso uma fórmula padrão, mas eu diversifico, com certeza. Estou exposto em diferentes moedas, tenho investimentos em libras e reais. Possuo investimentos de perfis diferentes. Em imóveis, por exemplo, tenho menos risco. É um tipo de investimento menos volátil e mais tangível, mas menos líquido também.

Também invisto em empresas listadas na bolsa, um tipo de investimento com mais risco, porém, que conta com um mercado secundário perfeitamente fluido. Caso eu tenha a necessidade de vender, em alguns dias eu tenho a liquidez.

Já com investimentos em startups, o investimento é de longo prazo e de baixa liquidez, mas você está entrando mais cedo em um cenário em que potencialmente você tem um “upside” muito maior. Agora, se você cria a sua própria startup, você tem menos liquidez ainda, porque provavelmente vai ter que investir mais depois. Então, quando eu invisto em startups pela EqSeed, eu consigo manter um limite controlado da minha exposição ao risco.

Tem fatores que diminuem o risco, ao seu ver?

Eu acho que o risco é menor na EqSeed, teoricamente, porque efetivamente vocês fizeram a checagem das empresas sob um filtro rígido. Uma das vantagens de investir pela EqSeed é que existe uma pré-filtragem de qualquer coisa que esteja obviamente errada.

Como tem sido sua experiência pós investimento com as empresas em que você investiu pela EqSeed?

Eu gosto. Meu contato com os empreendedores é bom. Recebo os relatórios de performance de três em três meses e, além disso, já falei com eles algumas vezes sobre assuntos estratégicos e potenciais novos negócios.

Está satisfeito com as informações que a empresa lhe fornece? Com a governança da empresa?

Sim, as empresas que investi ainda são relativamente novas, com uma estrutura enxuta em um mercado novo, mas você não deve esperar que as coisas aconteçam rápido. Não se deve esperar retornos instantâneos. O prazo é mais longo.

Você tem sido satisfeito com o atendimento da Equipe EqSeed?

Completamente.

Quais são os tipos de retornos que você mira com seu portfólio de startups?

Estou apenas começando a construir meu portfólio de startups, com investimentos em empresas de alguns setores diferentes. Os múltiplos em tecnologia são grandes e você nunca sabe o que pode acontecer – pode perder tudo, ficar maravilhado com sucesso extraordinário ou qualquer coisa no meio disso. Quando você investe em startups, não há uma ciência, você não tem garantia. Você está acreditando na pessoa, no projeto, no sonho e na execução no mercado e acredita que todas essas variáveis se combinem e vão para frente.

Você acha que a EqSeed facilita o processo de investir em startups e de construir seu portfólio de startups?

Com certeza. Nessa fase da minha vida, não desejo gastar tempo olhando grandes portfólios. Para quem deseja diversificar e ir além dos produtos financeiros tradicionais, a EqSeed oferece um mercado de nicho com maior risco, mas também com retornos potenciais maiores. Além disso, os investimentos são feitos através de uma plataforma regulada e aprovada pela CVM.

Investir em startups ficou mais fácil porque as oportunidades vêm até você, ao invés de você ter que ir até as oportunidades.

 

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