A tarefa da Stone não era das mais fáceis. Afinal, estrear na Nasdaq no dia seguinte ao maior recuo diário da bolsa americana, em mais de sete anos, poderia ser uma catástrofe.

Mas não foi o que ocorreu com a Stone Pagamentos.

Pelo contrário. A startup carioca, criada pelos empreendedores André Street e Eduardo Pontes, estreou com força no mercado de capitais americano em 2018.

Tanto que nem parecia que o mercado, 24 horas antes, estava de mal humor com as empresas do setor de tecnologia.       

O IPO da Stone foi tão agitado que, duas horas depois da abertura do pregão, o papel acumulava alta de cerca de 30%. 

Sim, uma startup brasileira abrindo capital na bolsa de valores de empresas de tecnologia mais famosa do mundo.

No total, a captação da Stone bateu US$ 1,5 bilhão na venda de ações. E o seu valor de mercado atingiu quase US$ 7 bilhões – cerca de R$ 26 bilhões.

Bom para a empresa que reforçou o seu caixa. Mas, principalmente, para os investidores, que rentabilizaram pela venda de suas participações. 

Na época, a quantia foi suficiente para que a startup se transformasse no 5º unicórnio brasileiro. Ganhava musculatura também uma das mais poderosas fintechs do país.

Mas como é possível uma empresa, fundada em 2012, em apenas 6 anos, chegar a ser avaliada em US$ 1,5 bilhão? Como foi possível crescer tão rápido?

Em primeiro lugar, esses resultados só são possíveis para startups escaláveis atuando em mercados enormes com modelos disruptivos. 

Esse é o caso da Stone – fintech brasileira que atua no setor de meios de pagamentos.

A seguir, a história da Stone Pagamentos.

Stone Pagamentos: o início

Jovens funcionários da Stone sorriem um para o outro em frente ao computador

A empresa foi fundada em 2012 pela dupla de cariocas André Street e Eduardo Pontes, que hoje são, respectivamente, o presidente e vice do Conselho de Administração.

Mesmo após a criação do negócio, a Stone manteve-se discreta, já que nos primeiros 18 meses de startup, a dupla investiu apenas no desenvolvimento do negócio. 

A operação só começou mesmo em 2014.

E para entender a história da fintech brasileira é necessário entender o que ocorreu no mercado um ano antes.

Em 2013, o Banco Central promulgou uma regra que permitiu a entrada de novos players no mercado de pagamento de cartões. 

Começava uma mudança radical no setor, já que, naquela altura, Cielo, da bandeira Elo, que por muito tempo teve vínculo com Bradesco, Santander e Banco do Brasil, e a Rede, do Itaú 

Unibanco, concentravam quase 95% de participação no setor.

A mudança na regulamentação permitiu a criação de concorrentes. E, como era de se esperar, a participação das empresas líderes foi reduzindo aos poucos.

Entre os novos destaques surgiu a Stone.

Vantagens da Stone Pagamentos no mercado

Homem simula um pagamento em uma loja

Fintechs fazem sucesso  no mercado por, entre outros motivos, por desburocratizarem processos, oferecerem melhores serviços e dar agilidade a processos.

A stone, por exemplo, chegou ao mercado oferecendo máquinas baratas e sem aluguel, além de soluções focadas em tecnologia, como o seu próprio software de gestão.

O objetivo era claro: ganhar usuários, no caso lojistas, que permitiriam abocanhar uma fatia de um mercado concentrado em 2 players.

Além disso, a empresa também adotou uma postura que não era praticada até então: transparência em relação às taxas e antecipar o pagamento aos lojistas.

Ou seja, o famoso “combinar uma coisa e cumprir o acordo”.

Com uma postura diferente, a empresa chamou atenção e logo conquistou muitos lojistas que viam na empresa a oportunidade de fazerem melhores negócios.

Quem acreditou na Stone

Funcionários da Stone reunidos na Times Square, em frente à Nasdaq

Os recursos iniciais da empresa vieram de quem estava com a “pele em jogo”.

Antes de fundarem a Stone, André Street e Eduardo Pontes já tinham tido um exit bem sucedido da Braspag, uma empresa de soluções de pagamento, criada em 2004. A dupla vendeu o negócio em 2009, recebendo, na época, R$ 25 milhões.

O caixa dos fundadores da Stone ainda seria reforçado também com a venda de suas participações na startup Sieve, um grupo de e-commerce, para a B2W, por mais de R$ 80 milhões.

Ou seja, uma clara demonstração que Street e Pontes fizeram grandes negócios criando e investindo em startups.

Além do faro afiado da dupla para criar bons negócios, os dois também era bem vistos pelos investidores.

É bom lembrar também que a Stone teve como investidores iniciais, o Banco BTG Pactual e o Banco Panamericano, que mais tarde venderiam as participações para os dois fundadores da Stone. 

Outros que também acreditaram na empresa foram investidores institucionais como a T. Rowe Price Tiger Global Management, Gávea Investimentos e alguns investidores individuais.

Dinheiro em caixa e aquisição

Maquininha de pagamento da Stone sobre uma mesa

Com dinheiro em caixa, ocorreu o que todos esperavam: a startup escalou o mercado.

A empresa que, em 2014, tinha cerca de 500 funcionários, começou a dobrar o número de colaboradores. Em 2018, ano do IPO, já estava com cerca de 5 mil funcionários.

Na história de sucesso da Stone ainda teve uma aquisição.

Em 2016, a fintech investiu cerca de US$ 100 milhões na compra da Elavon, que deu à empresa contas importantes e uma carteira de clientes que, quando migrada para a plataforma da Stone, tornou-se mais lucrativa. (A Stone tinha um custo de processamento mais baixo e menos ‘churn’ que a Elavon).

O resultado acabou vindo rápido. O faturamento da Stone foi de R$ 55 milhões de reais em 2016, quase cinco vezes maior que o do ano anterior. 

Os bons resultados refletiam a aceitação dos lojistas e comerciantes. 

Em um relatório do mercado em 2016, por exemplo, mostrava que 1 a cada 4 comerciantes do Brasil, preferia a Stone como empresa de pagamentos. Um dos pontos fortes era o atendimento que a empresa oferecia. 

O caminho para o IPO da Stone

A Stone Pagamentos não é daquelas startups que fez inúmeras rodadas de investimentos.

A empresa, claro, recebeu aportes, mas não foi ao mercado anualmente buscar capital.

O que nos faz lembrar que ter a oportunidade de participar de rodadas de investimentos, principalmente no início da caminhada da companhia, é fundamental. 

Não adquirir participação em um startup pode custar, literalmente, caro demais no futuro.

Isso porque, à medida que a empresa cresce, o valuation da companhia aumenta. Logo, ter uma fração de uma empresa muito grande, é cada vez mais caro.

Quer ver um exemplo?

Em 2018, quando a empresa já estava conhecida e já era claro o caminho para o IPO, a startup fez uma rodada de investimento para captar US$ 250 milhões.

Quem foram os investidores?

Segundo analistas do mercado, investidores que participaram do porte foram bilionários como Warren Buffett, Jorge Paulo Lemann e Beto Sicupira. Ou seja, não houve espaço para aportes de R$ 100 mil, 200 mil porque o “preço” para entrar no negócio estava alto demais.

Estamos falando de quantias milionárias.

Afinal, Buffett, Lemann e cia viram o tamanho da oportunidade que era investir na Stone naquela altura, e, claro, tiveram bons retornos meses depois com o sucesso do IPO. 

Mas, certamente, todos gostariam de ter adquirido participação no negócio ainda mais cedo.

O grande momento: o IPO

Placa de rua na esquina da Wall Street, em Nova York

Em um cenário altamente competitivo, a Stone não só sobreviveu como começou a ganhar espaço.

Às vésperas do IPO, a empresa registrava um lucro líquido de R$ 88 milhões e já tinha mais de 6% do mercado – em 2019, a empresa fechou o ano com 9% de participação.

Conforme falamos no começo do texto, a Stone realizou o seu IPO, ou seja, passou a ser listada na Nasdaq a partir de outubro de 2018, atingindo o valuation de US$ 1,5 bilhão após o fechamento do primeiro pregão.

A confiança da empresa era tanta que Stone levou uma verdadeira comitiva de mais de 30 funcionários para Nova York no dia do IPO.

A festa na Time Square foi bonita, mas o melhor de tudo foram os resultados para os investidores.

Afinal, quando falamos de investimento em startups, estamos falando de altos retornos.

Ao negociar cerca de 1000 ações, os fundadores Street e Pontes se juntaram à lista dos homens mais ricos do Brasil.

Não custa lembrar: 

IPO é um tipo de operação que serve como exemplo de um momento de liquidez. Ou seja, quando na prática o investidor inicial, aquele que apostou na empresa startup, tem a possibilidade de vender a sua participação.

É o momento de ouro para todo investidor em startups, pois é a hora que o investidor de startups consegue realizar seus retornos – retornos que podem chegar a ser extraordinários – como foi o caso da Stone.

E se você tivesse investido antes do IPO da Stone?

Equipe da Stone comemora o IPO na Nasdaq

Como exercício hipotético, vamos imaginar que você investiu na primeira rodada de investimento aberta pela dupla de fundadores da Stone, André Street e Eduardo Pontes.

Ou seja, você foi um investidor que acreditou no projeto antes do crescimento exponencial da Stone e da entrada de grandes investidores.

Não é possível saber qual porcentagem de equity (participação societária) a Stone ofereceu quando recebe algum aporte ao longo do seu caminho até IPO. Basicamente, a Stone fez rodadas sem alardear o mercado, tratando com muita discrição diretamente com investidores.

Contudo, como regra geral, empresas startups oferecem, em média, entre 10% – 20% de equity.

Para deixar a matemática simples, vamos supor que você adquiriu 2% da empresa ao investir R$ 200 mil reais em 2014.

Após essa rodada seed, a Stone continuou a crescer e fez mais 3 rodadas de investimento até 2018, quando houve o IPO.

Qual foi o retorno?

Bom, então consideramos que você comprou 2% da Stone em 2014. 

Não é claro quantos aportes financeiros a Stone recebeu até o IPO. Sabemos, por exemplo, que a empresa fez uma rodada em março de 2018.

Então, vamos imaginar que além da rodada Seed, a Stone fez outros 3 rounds em que também cedeu 15%.

Com a entrada de novos aportes financeiros ao longo das rodadas, essa porcentagem teria caído um pouco, se você decidiu não exercer seu direito de preferência

Só como exercício de imaginação: se a Stone ofereceu, em média, 15% de participação societária em três rodadas subsequentes a sua participação em 2014, seu equity no momento do IPO teria sido 1,45%.

Sabemos que a Stone valia US$ 1,5 bilhão em 2018.

Assim, pela sua participação de 1,45% da Stone, você teria recebido um pouco mais de US$ 21 milhões (R$ 78 milhões, no dia do IPO, com o dólar cotado a R$ 3,72).

R$ 78 milhões de reais!

De R$ 120.000 para R$ 78.000.000 em 4 anos.

Isso é 390 vezes o valor investido. Equivalente a um retorno de 390% ao longo de 4 anos.

É surreal.

E só é possível através de investimentos em startups.

Stone: uma startup bem-sucedida

O início de um grande negócio pode começar com uma ideia simples e bem executada.

A Stone soube aproveitar o acirramento do mercado de pagamento e explorar um setor sedento por mais transparência.

A companhia também conseguiu escalar através de muito trabalho e algumas rodadas de investimento até o momento de ficar grande o suficiente para fazer o IPO e ser listada na Nasdaq.

Sendo assim, o caso da Stone é um ótimo exemplo de como uma startup cresce ao longo dos anos e por que é tão interessante investir em startups.

E é importante sempre lembrar:

Investimentos em startups são de risco elevado e exigem uma estratégia específica, mas o fato é que somente startups conseguem crescer nesse nível em tão pouco tempo.

Ao investir em startups, você consegue participar do crescimento financeiro exponencial de empresas.

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